Descrição:
A Eugenia gracillima Kiaersk., popularmente conhecida como murta, trata-se de uma planta medicinal da família Myrtaceae. Seus frutos comestíveis são explorados na forma fresca ou como ingredientes em produtos alimentícios, e podem ser fonte de compostos fenólicos, flavonoides e antocianinas. Atualmente, existe interesse comercial no seu estudo como um corante natural, seguindo uma tendência de incorporação dos atributos de qualidade desejáveis em sistemas modelo de laticínios. Nesse sentido, o presente estudo foi estruturado em três capítulos. O Capítulo I foi intitulado “Edible fruits of the genus Eugenia L. (Myrtaceae) as sources of phenolic compounds: A review with emphasis on undervalued species”, o qual catalogou espécies frutíferas do gênero Eugenia L. e seus compostos fenólicos. Os dados foram coletados em relação à fonte (espécie de fruto, parte específica e país de origem), processo de extração (método, solvente, temperatura e tempo) e teor de fenólicos. Os ácidos gálico e elágico, a quercetina e a cianidina-3-O-glicosídeo foram os compostos fenólicos mais citados. Já o Capítulo II foi intitulado “Fresh and freeze-dried pulp of Eugenia gracillima Kiaersk. (Myrtaceae): Composition and thermostability of an unconventional edible Brazilian fruit”. Entre os resultados estão o perfil de açúcares por HPLC–MS, composição mineral por MP–AES, e análise não direcionada de metabólitos por UHPLC–QTOF–MS. Observou-se predominância de frutose na polpa fresca, bem como Ca, Mg (46,60 e 55,99 mg 100 g−1, respectivamente), ácido cítrico e compostos fenólicos, de forma similar a outras frutas tropicais. Além disso, as propriedades térmicas revelaram melhor estabilidade da polpa liofilizada até 200 °C em comparação a polpa fresca. Finalmente, Capítulo III foi intitulado “Eugenia gracillima Kiaersk. pulp as an alternative natural colorant in a fermented dairy model system”. Foram preparadas seis formulações (Ic, I1–I5). Este capítulo enfatizou que os laticínios fermentados I4 e I5 (6,0 e 7,5 mL de polpa de murta por 80 mL de iogurte, respectivamente) apresentaram boa estabilidade da acidez total após 35 dias (t5: 0,92 e 0,88% de ácido lático, respectivamente). No monitoramento da cor dos iogurtes, verificou-se alterações significativas com a adição de diferentes proporções da polpa de E. gracillima Kiaersk. De modo geral, infere-se que a murta (E. gracillima Kiaersk.) é uma espécie subvalorizada, possuindo alto potencial como corante natural alternativo aos sintéticos.