Descrição:
Dados referentes a dissertação de mestrado: EXTRAÇÃO DE MOLÉCULAS BIOATIVAS DE DAMA-DA-NOITE (Cestrum mariquitense Kunth.) COM FLUIDOS SUPERCRÍTICOS E LÍQUIDOS PRESSURIZADOS (EXTRACTION OF BIOACTIVE MOLECULES FROM DAMA-DA-NOITE (Cestrum mariquitense Kunth.) USING SUPERCRITICAL FLUIDS AND PRESSURIZED LIQUIDS).
Nesses dados encontram-se a caracterização da matéria-prima (partes aéreas (folhas e galhos) secas de dama-da-noite), a saber, umidade, cinzas, proteínas, lipídios e carboidratos, a distribuição do tamanho médio das partículas (diâmetro médio) e a densidade aparente; informações sobre as extrações (tempo, temperatura, pressão, ensaio cinético); informações sobre os extratos obtidos (rendimento global, capacidade redutora total, atividade antioxidante); e informações sobre cromatografia e espectrometria de massas por GC-MS e HPLC-MS.
Através desses dados foi possível entender a influência de cada variável analisada (pressão, temperatura, composição do solvente), bem como de cada método de extração, e traçado o perfil fitoquímico da espécie. Os resultados permitem concluir que as partes aéreas (folhas e galhos) secas de dama-da-noite (C. mariquitense) não têm elevado teor lipídico, conforme evidenciado tanto pela extração Soxhlet realizada para quantificar lipídios (3,02 ± 0,23%, em base seca), quanto pelas extrações por SFE-CO2, cujo rendimento global máximo foi de 1,30 ± 0,11% (b.s.), na condição de 35 MPa e 40 ºC. Nas extrações por SFE-CO2 acrescido de 10% de etanol (m/m), o rendimento global foi significativamente maior: 3,18 ± 0,13% (b.s.) na melhor condição, a 25 MPa e 40 ºC. Em ambos os casos – com e sem cossolvente – a variação de pressão não influenciou significativamente no rendimento global da extração. Com isso, entendeu-se que, dentre as condições avaliadas, 15 MPa/40 ºC, com 10% de etanol (m/m), foi suficiente para obter a maior recuperação de compostos com menor custo operacional.
A análise de varredura por GC-MS dos extratos produzidos por SFE – com e sem etanol – de partes aéreas de dama-da-noite indicou a presença de algumas moléculas inéditas no gênero: 3,7,11,15-tetrametil-2-hexadeceno, vitamina E e esqualeno. A primeira tem estrutura muito parecida com a do fitol, ou 3,7,11,15-tetrametil-2-hexadecen-1-ol, terpenoide já reportado no gênero Cestrum e precursor da vitamina E. O fitol foi observado inclusive nas amostras extraídas com metanol e ultrassom. E o esqualeno é um triterpeno precursor das quatro classes de triterpenoides.
Na PLE, o rendimento global foi substancialmente maior que na SFE e aumentou com a temperatura. Os maiores rendimentos globais foram obtidos com 50% de etanol (m/m), para todas as temperaturas, chegando ao valor máximo de (15,43 ± 1,19%, b.s.) a 80 ºC. Seguindo a mesma tendência, os maiores valores de CRT (3,36 mg GAE/g M.P. b.s.) e FRAP (6,23 mg TE/g M.P. b.s) foram obtidos nas mesmas condições de 80 ºC e 50% de etanol (m/m). Pelo protocolo ORAC, a capacidade antioxidante foi maior a 60 ºC e 50% de etanol (m/m) (36,66 mg TE/g M.P. b.s.). Com isso, viu-se que a combinação de altas temperaturas e o uso de uma mistura etanol-água é uma alternativa viável para extrair compostos fenólicos e antioxidantes de partes aéreas da dama-da-noite, visto que houve melhora significativa na recuperação destes compostos em diferentes condições de extrações por PLE, quando comparada ao Soxhlet com diferentes solventes orgânicos (metanol, n-hexano, diclorometano, acetato de etila) e água. A análise de varredura por HPLC-MS dos extratos indicou a ausência das duas moléculas-alvo, atropina e escopolamina, nos extratos produzidos com 50% de etanol (m/m), a 60 e 80 ºC.
Portanto, partes aéreas de C. mariquitense podem ser consideradas como potencial matéria-prima para obtenção de moléculas bioativas extraíveis por SFE ou PLE, a depender da polaridade das moléculas-alvo, consolidando a importância terapêutica do gênero na etnofarmacologia. O conhecimento etnobotânico oferece uma abordagem direcionada e culturalmente rica para a descoberta de medicamentos, mas existem questões de padronização, validação científica e sustentabilidade. O desafio é equilibrar essas vantagens e desvantagens. (2026)