Descrição:
O cenário de sobrepeso e obesidade mundial têm levantado preocupações acerca da saúde das próximas gerações. Estudos têm demonstrado que a obesidade materna pode impactar no controle do apetite de seus descendentes, contribuindo para o ciclo transgeracional de obesidade e doenças metabólicas. No entanto, existem lacunas no que diz respeito aos mecanismos que levam às alterações no controle do apetite de descendentes de mães obesas. O objetivo do presente estudo foi investigar se a dieta hiperlipídica (HF) materna altera a composição de ácidos graxos fetais ainda durante a gestação e se este seria um possível mecanismo para explicar a hiperfagia dos descendentes de mães com obesidade. Camundongos fêmeas foram alimentadas com dieta controle (CT) ou HF por um período de aproximadamente 11 semanas antes do acasalamento. Com 19 dias de gestação, os tecidos fetais e maternos foram coletados para as análises. Parte dos descendentes foram mantidos para o período de lactação. Fêmeas HF apresentaram maior ganho de peso, adiposidade e maior proporção de ácidos graxos (FA) ômega 6 (n-6) no soro durante a gestação. O mesmo perfil de FA foi observado no soro dos fetos HF, com aumento de n-6, incluindo o ácido graxo linoleico (LA) e araquidônico (AA). Fetos machos HF apresentaram aumento na expressão gênica hipotalâmica de Npy. Já fetos fêmeas HF apresentaram redução do conteúdo proteico de POMC no hipotálamo. Ambos, machos e fêmeas HF, apresentaram redução do fator bHLH NGN3 hipotalâmico, quando comparado aos fetos CT. Observamos, por meio de tratamento com LA em linhagem neuronal mHYPO, que o n-6 foi capaz de reduzir a expressão gênica de Pomc e Ngn-3. Durante a lactação, a prole fêmea HF apresentou maior ingestão de leite; além disso, o peso corporal foi maior nos descendentes machos e fêmeas HF. Em conclusão, nossos resultados mostram que a exposição à HF materna durante os períodos pré-gestacional e gestacional impactam na composição de ácidos graxos maternos e fetais, com aumento na proporção dos ácidos graxos ômega 6, em especial do ácido linoleico. A alta proporção de LA pode estar contribuindo para alterações na expressão dos neuropeptídeos hipotalâmicos envolvidos na fome e saciedade, promovendo aumento da ingestão de leite e ganho de peso nos descendentes HF durante a lactação.