Descrição:
As cidades podem ser compreendidas como organismos vivos em constante transformação, moldadas por fatores econômicos, sociais e culturais. A pandemia de COVID-19 representou um período de crise capaz de acelerar mudanças nos ambientes urbanos, especialmente nos espaços públicos. Esta tese investiga como espaços públicos icônicos de grandes cidades — São Paulo, Nova York, Londres, Sydney, Singapura e Marrakech — reagiram à pandemia entre 2019 e 2023, analisando impactos na vida pública, na morfologia urbana e nas coreografias sociais. Por meio de uma pesquisa exploratória comparativa, baseada em estudo etnográfico da paisagem e análise morfológica, foram elaborados mosaicos que evidenciam transformações nos modos de uso, ocupação e percepção desses espaços. Os resultados indicam que, embora tenham ocorrido rupturas temporárias nas dinâmicas sociais e nos fluxos urbanos, os espaços públicos demonstraram grande resiliência, mantendo sua essência simbólica e relacional. Conclui-se que a pandemia não provocou mudanças estruturais permanentes na forma e função dos espaços públicos, mas reforçou sua importância fundamental para a convivência, a diversidade cultural e a continuidade da vida urbana.