Descrição:
Os mapas presentes no arquivo foram elaborados a partir de registros do GeoSampa, Google Satellite e 11° Registro de Imóveis de São Paulo. De forma generalizada, os mapas representam uma narrativa visual que materializa a transição de áreas da Zona Sul de São Paulo de um antigo núcleo colonial sob controle de descendentes de imigrantes europeus para a configuração atual de periferia urbana segregada e majoritariamente negra. Em conjunto, eles fornecem a dimensão espacial para a tese do "legado racial fundiário", ilustrando como a terra foi fragmentada e comercializada ao longo de décadas.
A descrição específica desses mapas pode ser feita considerando três pontos:
1- Contextualização Administrativa e Periférica: o mapeamento situa o distrito do Grajaú na região "Sul 2", evidenciando sua distância geográfica em relação ao centro tradicional de São Paulo. Essa localização é fundamental para compreender o padrão de distribuição da riqueza na cidade, onde o extremo sul se consolidou como um território de alta densidade populacional negra e de baixa renda.
2- Conexão Histórica entre a Colônia e os Loteamentos: os mapas revelam o vínculo geográfico entre a antiga Colônia Alemã de Santo Amaro e os loteamentos que deram origem à urbanização moderna, como o Parque Grajaú e o Jardim Reimberg. Essa sobreposição visual é a prova cartográfica de que a base da periferia atual repousa sobre títulos de propriedade que remontam ao século XIX, preservados hereditariamente por famílias de ascendência europeia até serem loteados para a população migrante a partir de 1960.
3- Expansão do Capital Imobiliário na Região: os mapas demonstram a plotagem dos empreendimentos da Imobiliária Grajaú, expondo a escala da transformação do solo. Eles mostram como a atuação da imobiliária foi decisiva para converter mais de 2 milhões de metros quadrados de áreas rurais em uma "periferia residencial". Esse processo é apresentado na pesquisa como um mecanismo que transformou a exclusão e a segregação em um negócio rentável, consolidando o Grajaú como um núcleo de concentração negra.
Em suma, além de representações geográficas, os mapas evidenciam a segregação socioespacial, revelando o contraste entre os distritos do norte da Zona Sul (áreas mais ricas e brancas) e o extremo sul periférico.