Descrição:
A emergência do SARS-CoV-2 em 2019 e os surtos de Monkeypox vírus (MPXV) em 2022 reforçaram a necessidade de estratégias para conter a disseminação de patógenos, como o uso de máscaras, higiene pessoal e desinfecção de superfícies. O aumento da demanda por antissépticos levou à escassez de matérias-primas, especialmente em países emergentes como o Brasil. Este estudo avaliou a atividade virucida de compostos naturais e sintéticos abundantes no Brasil para uso como matéria-prima na produção de desinfetantes. Seis compostos foram selecionados por triagem in sílico baseada na interação com a proteína spike do SARS-CoV-2 e outros vírus patogênicos: curcumina, timol, ácido cítrico anidro, peroximonossulfato de potássio (oxone), monoperoxiftalato de magnésio e digliconato de clorexidina. Estes foram testados in vitro quanto à solubilidade, citotoxicidade e eficácia virucida contra SARS-CoV-2, MPXV e Calicivírus felino (FCV), usado como modelo de vírus não envelopados. O peroximonossulfato de potássio apresentou o melhor desempenho e foi utilizado como composto ativo de um novo desinfetante desenvolvido pela UFPR e EMBRAPA. Nos testes de eficácia, o desinfetante reduziu a carga viral em ≥4 Log₁₀ contra MPXV e FCV após 1 minuto de contato, sendo menos eficaz contra o SARS-CoV-2 (aproximadamente 1 Log₁₀). O vírus Vaccinia (VACV), um modelo substituto amplamente utilizado para testes virucidas contra vírus envelopados, também apresentou uma redução de ≥4 Log₁₀. A eficácia bactericida foi testada contra Staphylococcus aureus e Klebsiella pneumoniae, incluindo formas planctônicas, em superfície seca, biofilmes hidratados e biofilmes secos. Para K. pneumoniae, houve redução ≥4 Log₁₀ em todas as condições. S. aureus mostrou-se mais resistente, mas a introdução da remoção mecânica reduziu o tempo necessário para 4 Log₁₀ de 15 para 5 minutos. Os resultados demonstram que a formulação à base de peroximonossulfato de potássio é um desinfetante eficaz contra vírus e bactérias, destacando seu potencial como alternativa sustentável e de menor toxicidade ambiental. O estudo reforça a importância da validação de desinfetantes contra patógenos específicos, utilizando protocolos padronizados, para garantir sua eficácia em diferentes condições.