Descrição:
Este projeto de pesquisa está alocado no Laboratório de Estudos sobre Arte, Corpo e Educação (Laborarte) da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e situa-se na temática das “questões de gênero, raça e etnia” da Chamada “LinCAr 2022” da Fapesp. Trata-se de uma pesquisa narrativa que se apoiou numa concepção dialógica e sócio-histórica de linguagem e que teve como objetivo primordial compreender como vem se dando o processo de constituição de mulheres - negras, indígenas e brancas - como professoras da educação básica em redes públicas de ensino de diferentes regiões do Brasil, e como esse processo de constituição docente vem sendo atravessado por diferentes formas de linguagem, especialmente aquelas que se manifestam por meio da arte, do corpo, da gestualidade, da expressão corporal. Interessou-nos ouvir essas mulheres professoras e, para tal, as convidamos a tomar a palavra para produzir narrativas orais, escritas e visuais a respeito de suas histórias vividas na pluralidade de experiências entre sujeitos que interagem, que se relacionam e que se comunicam por meio de múltiplas linguagens, especialmente, das linguagens da arte. Nossa intenção foi, igualmente, colocar em circulação sentidos acerca das relações de gênero e étnico-raciais com vistas a entender como elas se interseccionam nos processos de constituição docente dessas mulheres professoras. A investigação foi conduzida por uma equipe interdisciplinar, com especialidades complementares e com diversificada experiência de pesquisa, composta majoritariamente por mulheres de diferentes instituições brasileiras (abrangendo as cinco regiões do país), além de uma universidade internacional. Entrevistamos 29 mulheres professoras, sendo 15 negras, 6 indígenas e 8 brancas. Além das entrevistas individuais, realizamos encontros coletivos entre as professoras participantes e a equipe de pesquisa, organizamos eventos na Faculdade de Educação da Unicamp (presencial e online) e publicamos um e-book da pesquisa, no qual constam 20 capítulos escritos de forma individual ou em coautoria envolvendo 16 professoras participantes e 11 pesquisadoras(es). No livro, podemos conhecer as narrativas plurais de mulheres professoras e pesquisadoras, com experiências marcadas por diferentes culturas, por diversos saberes e vivências que nos movimentam com suas insurgências dos afetos.