Descrição:
Uma amostra da população de Iguatu, localizada no estado do Ceará, foi coletada aleatoriamente para compor o corpus deste estudo de Fonética Experimental, que incluiu a participação de oito indivíduos, sendo quatro homens e quatro mulheres, todos na faixa etária de 39 a 59 anos. Dois homens e duas mulheres possuem o Fundamental II, assim como os outros dois homens e mulheres possuem o nível Superior completo. A amostra é constituída por 51 palavras paroxítonas terminadas em [ɪ] e 51 palavras paroxítonas terminadas em [ʊ], totalizando 102 palavras. Esses vocábulos foram selecionados com base em critérios de aleatoriedade e familiaridade (palavras de uso cotidiano), utilizando o site https://www.dicio.com.br/. Dentro de cada conjunto de palavras com vogais finais, foram separados subgrupos classificados como dissílabos, trissílabos e quadrissílabos, levando-se em consideração também o modo de articulação das consoantes que precedem essas vogais. A quantidade de sons consonantais que precedem as vogais em estudo, conforme seu modo de articulação, é a seguinte: seis nasais para [ɪ] e seis nasais para [ʊ]; nove oclusivas desvozeadas para [ɪ] e dez oclusivas desvozeadas para [ʊ]; nove oclusivas vozeadas para [ɪ] e oito oclusivas vozeadas para [ʊ]; nove fricativas desvozeadas para [ɪ] e nove fricativas desvozeadas para [ʊ]; nove fricativas vozeadas para [ɪ] e nove fricativas vozeadas para [ʊ]; seis róticos para [ɪ] e seis róticos para [ʊ]; três laterais para [ɪ] e três laterais para [ʊ].Os oito participantes realizaram as gravações em um estúdio acústico. Para a captação dos dados, foram utilizados os seguintes equipamentos: um microfone condensador C-1 Behringer, um fone de ouvido AKG K92, uma interface de áudio Behringer U-PHORIA UMC 404HD e um laptop DELL i5, 7ª geração, com 1 TB de armazenamento, para a exibição dos slides. As gravações foram feitas no formato WAV e a taxa de amostragem foi de 44.1 kHz. Todos os participantes foram submetidos a um protocolo de coleta de dados composto por 102 palavras-alvo, inseridas na frase-veículo "Digo _________ baixinho". A utilização de uma frase-veículo padrão em todas as gravações visa homogeneizar, ao máximo possível, o ambiente fonético em que as vogais altas finais ocorrem, permitindo, assim, fazer comparações com outros estudos que se serviram do mesmo protocolo. Os parâmetros medidos nesse ambiente controlado foram os valores de F1 das vogais tônicas e átonas finais, duração bruta da vogal final, duração relativa, F0 médio, desvio padrão de F0, que foram comparados com os mesmos valores obtidos em um contexto diferente. Para isso, foram utilizados dois pequenos textos narrativos contendo todos os vocábulos previamente mencionados nas tabelas, que foram lidos por todos os participantes. Essa abordagem busca uma maior naturalidade na fala, permitindo a comparação das medições acústicas entre as duas situações. Os 102 vocábulos foram inseridos na frase-veículo e apresentados em telas do PowerPoint no laptop do pesquisador, resultando em um total correspondente de slides. O pesquisador solicitou que cada um dos oito participantes repetisse, de forma aleatória, todas as frases-veículo três vezes. Inicialmente, uma rodada de gravação foi realizada para que os participantes se sentissem mais à vontade com a situação e se familiarizassem com as palavras e a dinâmica das gravações, evitando possíveis problemas de dicção e hesitações devido ao desconhecimento de algum vocábulo. Dessa forma, essa primeira gravação foi descartada. Ao final da terceira rodada de repetição de cada conjunto de palavras, ou seja, dos vocábulos terminados em 'e' e dos vocábulos terminados em 'o', cada participante realizou, apenas uma vez, a leitura dos dois textos narrativos (um para cada grupo de palavras) numa taxa de elocução que lhes fosse confortável e habitual. Esses textos foram apresentados pelo pesquisador através do laptop. Tanto as frases-veículo quanto os textos narrativos foram gravados para posterior análise. Após a realização das gravações, os dados foram processados em duas etapas: a análise acústica, realizada utilizando o programa PRAAT (Boersma & Weenink, 2019), versão 6.1.03; e a análise estatística, conduzida com o uso do software RStudio, versão 2021.09.0. Cada vogal tônica e átona final foi segmentada e etiquetada em uma mesma camada de anotação do Praat, enquanto o vocábulo correspondente foi marcado em uma camada separada. A consoante precedente foi anotada em uma camada distinta, registrando o contexto precedente. Nos casos em que os vocábulos pertenciam ao texto narrativo, a última camada foi preenchida com uma consoante precedente e uma etiqueta identificando o contexto subsequente, que poderia ser uma consoante, uma vogal ou até mesmo silêncio. Com as segmentações de todos os áudios disponíveis, obtidas através dos TextGrids no Praat, foi utilizado o script GenAcousticsSegments desenvolvido por Barbosa (2024), que automatizou a geração dos valores de F1 (Hz) das vogais-alvo; a duração bruta das vogais átonas finais; os valores de F0 médio; desvio padrão de F0 e a ênfase espectral (cf. Traunmüller e Eriksson, 2000), além de registrar nomes dos arquivos de áudio, que informam sobre participante e vogal final e as etiquetas dos contextos. Informações sobre sexo e escolaridade foram preenchidas manualmente a partir do arquivo de saída, bem como a duração relativa das vogais-alvo (vogais átonas finais).